“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco até a consumação dos séculos” Mateus: 28:18-20.

Nesse texto Jesus afirma que a igreja só será igreja se for missionária. Aqui está revelado que o sentido do cristianismo é ir, é avançar, é anunciar para todas as pessoas em todos os lugares da terra que Jesus Cristo é o Senhor. Somos vistos por Ele como servos-missionários, livres e em movimento para que a missão seja realizada. A igreja primitiva cresceu assim: as lutas, as perseguições, os debates internos proporcionaram as dispersões e as dispersões proporcionaram as missões e as missões proporcionaram conversões e as conversões proporcionaram novos obreiros.

Antioquia é um clássico exemplo sobre isso. Essa missão maravilhosa foi fortemente atacada quando o Imperador Constantino, no ano 325, passou a ser o “dono” da igreja. A pregação, o discipulado, a evangelização e a conversão foram atingidas em cheio, a figura do missionário perdeu o seu sentido original. Com Constantino, fazendo do cristianismo a religião oficial do estado romano, o doutrinamento impositivo passou a ser a realidade sobre todas as coisas e ser um cristão passou a ser um bom negócio. A construção dos grandes templos passou a ser a marca do cristianismo no mundo, e o “fazei discípulos” ficou esvaziado do seu sentido original. O templo cheio passou a ser a marca da religião oficial.

Diante disso, podemos notar que a doutrina constantiniana templocêntrica foi a morte do missionário. Os valores foram invertidos de um modo absurdo, a institucionalização do movimento cristão fez a igreja se tornar um grande monumento. Constantino, com o seu poder, aprisionou a missão cristã libertadora num documento de compra e venda registrado no seu cartório.

Hoje a igreja que se diz fruto da reforma protestante age muito semelhante a Constantino. O missionário não recebe o apoio a altura da sua vocação e com isso vive com uma sobrecarga pesadíssima. Alguns são acusados pelas instituições de não terem o chamado e de agirem por impulso. Mas o que tenho presenciado nesses trinta anos de ministério é um abandono por parte das matrizes. Hoje temos pessoas maravilhosas de Deus tão feridas que não conseguem mais caminhar. Pessoas que deram os melhores anos das suas vidas para a missão e não foram cuidadas como deveriam.

Nessa geração que visa resultados imediatos – o tempo todo – o missionário que não produz “os resultados esperados” pela instituição, é reprovado e deixado para trás. Temos muitos lares destruídos, muitos filhos revoltados, muitas histórias tristes, muitos erros que são frutos na maioria das vezes do desespero do obreiro.

Termino afirmando que para falar sobre os missionários devemos, primeiramente, levantar uma grande e saudável discussão sobre o modelo que prevalece na igreja institucional, creio que temos muita roupa suja para lavar. 

A Deus toda Glória!

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