Um líder evangélico, que possui mais de mil igrejas no país, registrou em cartório centenas de supostos nomes de igrejas para impedir a concorrência. Vivemos um tempo onde tudo se tornou um enorme mercado: todos trabalham unidos pelo lucro e ganhar dinheiro é a principal motivação.

O processo do mercado é um processo de encantamento, onde o cliente/consumidor perde todo o seu senso de responsabilidade. As neoigrejas com uma ortodoxia de mercado, elaboram toda sua “doutrina” dentro desse encantamento, copiando religiosamente a lógica do mercado. O mercado precisa iludir para vender, quando uma igreja imita essa lógica, ela tem seu fundamento no lucro, assim ela deixa de servir a Deus e passa a viver do entretenimento religioso, que traz excelentes resultados financeiros. O padrão não é mais a ética é o lucro. E para obter lucro, o mercado sempre se apresenta com mensagens exageradas. Há um tempo atrás, uma propaganda dizia que se você comprasse uma marca de tênis você correria o dia todo sem se cansar e outra dizia que na compra de um agasalho você passaria a voar.

Uma das missões da Igreja de Jesus

A Igreja de Jesus precisa combater essa metodologia perversa, essa é uma das missões da igreja. Deus nos quer como agentes que lutem para mudar a história, os nossos grandes referenciais fizeram isso. Um servo de Deus não pode viver iludido com esse sistema, a inserção do cristão na sociedade é para salgá-la e iluminá-la não para imitá-la, não para copiar seus valores perversos. Quando olhamos as conversões de Pedro, Paulo, Zaqueu, Barnabé e outros personagens bíblicos, notamos uma profundíssima mudança de valores, uma libertação de uma vida escravizada no pecado. Foi para liberdade que Cristo nos libertou, o mundo jaz no maligno, não podemos perder o conceito que somos simples mordomos de Deus, se perdermos isso viveremos estabelecidos na terra como se fossemos senhores das coisas que possuímos. O nosso chamado é para sermos livres disso, sem essa consciência viveremos escravos dos conceitos da acumulação como forma de garantir uma vida segura e isso destruirá, como já está destruindo, a igreja. Somos agentes de Deus inconformados com a perversão do sistema e dispostos a lutar por um mundo melhor, não podemos abraçar um fatalismo nocivo, temos que nos ver como seres responsáveis, servos de Deus, pregando a sua mensagem, combatendo o bom combate sem medo de enfrentar as estruturas do poder constituído pela dureza do coração humano associado ao maligno. A igreja tem que agir de modo serviçal e missionário. A busca pelo sucesso e pela riqueza atingiu em cheio o espírito missionário, essa doutrina carnal e egoísta gerou uma igreja indiferente ao mundo ao seu redor, precisamos reorientar a igreja para realidade vivida ao seu redor. Deus é uma realidade presente, não uma ideia distante. Ele é um agente ativo no palco da história, presente no desenrolar dos fatos, se nós desconsiderarmos isso negaremos a Deus e desprezaremos o seu poder transformador.

Mágica e ilusões

Estamos passando de um período do consumo de massa para um período de hipersegmentação do consumo, o mercado atualmente está cada vez mais específico, trabalhando por segmentos, está vendendo muito mais porque identifica o seu cliente. Hiperconsumidor agora é especial, personalizado, ele é identificado, recebedor de uma atenção mágica que o ilude profundamente. Mágica, eis aí uma das palavras chaves desse nosso novo tempo. O mercado mágico constantemente atrai você para fora da realidade, ele quer que você se sinta um rei, príncipe, poderoso, forte, conquistador, respeitado e adorado, isso custa uma fortuna. O preço para viver essas ilusões é alto demais, mas a propaganda diz que vale a pena, o resultado dessa ilusão é o enriquecimento cada vez maior dos detentores do poder e a falência e endividamento cada vez maior da massa. Muitas igrejas compraram esse método e viram que dá resultado. Aí pouco importa se é falado o que Jesus nunca falou, o que vale é suprir as carências de forma imediata. isso atinge em cheio a doutrina clássica cristã do serviço, da missão e da confrontação a esse mundo. O hiperconsumo seduz o neocomprador com a barganha dos preços, as igrejas evangélicas aprenderam como se vende a felicidade e ainda diz: “se contribuir(comprar) terá cem vezes mais” e aí o neocomprador viciado em comprar tudo, compra também a ilusão que será feliz agindo assim, para ele é um belo investimento. Essa vulgarização do sagrado é fruto dessa lógica perversa que tudo tem um preço, com isso foi criada uma teologia tendo como fundamento a própria cobiça, precisamos urgentemente reerguer a bandeira da Graça, da compaixão, do serviço a Deus e da submissão a sua vontade.

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