A partir do ano 320 D.C. o cristianismo ficou descaracterizado, o Rei Jesus continuou Rei mas somente como um símbolo. Ele não era mais obedecido, seguido e adorado. Seu nome e a sua majestade passaram a ser usados apenas como uma estratégia de poder, os seus pseudo convertidos súditos inverteram os valores e criaram uma doutrina onde o Rei viveria a serviço deles e não eles a serviço do Rei.

Essa nova doutrina, centrada nas vontades humanas, engessou a missão do Rei e quebrou um princípio fundamental para se andar com Ele que é a obediência. Com a divulgação desse novo conceito, estruturado pelos súditos, o povo ficou em estado de êxtase porque, inicialmente, achou que todas as suas vontades e sonhos seriam realizados. Com a Palavra do Rei, fechada e proibida para o povo, o Rei emudeceu e os súditos passaram a falar pelo Rei como se fosse o Rei sem a autorização do Rei. 

E aí surgiu o Período das Trevas. Opressão, inquisição, perseguição, proibição, ganância e violência, os pseudo convertidos súditos eram tão gananciosos que começaram a vender a salvação, conhecida na história como venda de indulgências. O Rei, no seu livro, nunca disse que a salvação seria dessa forma. Essa doutrina perversa e sem alma buscava matar os profetas exatamente como mataram o Rei. Os súditos na verdade anunciavam o nome do Rei mas agiam contra o Rei, implantando a miséria, os altíssimos impostos, a perpetuação da ignorância, a relação inescrupulosa com o poder político, o ajuntamento absurdo de riquezas e o desprezo pelos necessitados. 

Então, 1.200 anos depois, o Rei que é livre e soberano, levanta um grupo de filhos amados e espanta esse período das trevas com a reforma protestante. Muita coisa muda, aquele modelo dos pseudos convertidos súditos é engolido pelo poder do Espírito Santo e a Europa é liberta da escravidão religiosa. Esse modelo é espalhado pelo mundo e traz um novo processo civilizatório, uma nova visão para o desenvolvimento humano com base cristã, um impacto sem igual na história.

Agora, após 5 séculos, uma semente das trevas está inserida entre nós, no meio cristão, desejando crescer novamente. Veio como uma nova roupagem, veio com uma retórica do fim do mundo, da tomada de poder, do moralismo, da conquista de território, de afastamento dos diferentes, de se impor pela força e de buscar estar próximo dos novos Constantinos desse período pós-verdade. Igreja do Rei, cuidado, muito cuidado. Nem tudo que reluz é ouro e nem todos que dizem para o Rei: “Senhor, Senhor” entrarão no Reino dos Céus. 

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz a igreja. A Deus toda Glória.

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