Encontrei um amigo que queria saber a razão da minha opção pela vida missionária urbana, tinha curiosidade em saber essa questão do chamado de Deus. Conversei bastante com ele sobre a convocação de Deus na minha vida, falei da minha conversão e ele ouviu tudo com muita atenção. Mas teve uma coisa que o assustou, foi quando soube que eu, com 54 anos de idade e 30 deles dedicados a missão, não tenho nenhuma garantia financeira futura: plano de aposentadoria, plano de saúde, receita fixa mensal e no momento estou sem carro. 

Expliquei a ele que vivo para o testemunho, não vivo para aquilo que seja bom para mim, vivo comprometido com um espírito se serviço ao próximo – o tempo todo -, vivo buscando obedecer ao meu Senhor por quem tenho um prazer em nutrir uma profunda submissão mesmo que isso seja um escândalo para o mundo. Também falei que o testemunho da simplicidade e da generosidade são essenciais nesse mundo e que tenho uma longa história de vida missionária que me autoriza falar sobre isso. Expliquei que existe uma profunda escravidão ao deus mamom, uma idolatria ao dinheiro, uma dependência ao ter que gera um afastamento entre as pessoas.

Expliquei a ele que tenho um compromisso com a Palavra de Deus e com as palavras que falo e que não posso ser leviano com elas e muito menos usá-las exclusivamente para os meus interesses. Falei sobre o mundo que Jesus propôs, que é muito melhor do que esse que vivemos, mundo da solidariedade, da hospitalidade, da generosidade, do respeito aos diferentes, do dividir o que se têm, do amor incondicional ao próximo. 

Quando me aproximo da vida que Jesus viveu, percebo que o mundo me isola, percebo uma forte rejeição, imitar Jesus nesse mundo é ser visto como doido, irresponsável, fraco, fora da realidade imposta, estranho, insubmisso. 

Falei para ele que a ilusão do sucesso faz a pessoa ficar cada vez mais amante de si mesma e isso coloca a motivação na criatura ao invés de colocar no Criador. Quase no final da conversa, fiz uma pergunta a ele: 
– O que chama mais a sua atenção em Jesus? 
Ele respondeu:
– O seu amor e disposição de servir aos outros e a sua total obediência ao Pai. 

Aí disse a ele: vai e faça o mesmo, ame, ame, ame, sirva, sirva, sirva, seja generoso em todo tempo, creia sempre em Deus e saiba que: “Ele chama a existência as coisas que não existem” (Romanos 4:17b). Não tenha medo, Deus é contigo e viva pelo testemunho.

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