Pastores estão me procurando para conversar e esboçando profundas crises. Alguns dias passados, um deles me procurou e disse que lendo as minhas postagens chegou a conclusão que não é convertido. Observem as suas palavras: 

“Pastor Aramis, desde novo busquei espaço na instituição religiosa que pertenço, batalhei a vida toda para ser um pastor, confesso que sempre olhei para as garantias e prestígios que um pastor possui na minha denominação. Todos tinham bons salários, benefícios, exerciam domínio sobre o rebanho e eu sempre quis ser um deles. Lutei e consegui, fui durante anos um serviçal da cúpula e conquistei o prestígio e a confiança deles. Após assumir o pastorado de uma das nossas igrejas, eu coloquei em prática tudo o que havia aprendido, dei continuidade na formação de pessoas moralistas, rígidas, julgadoras, medrosas. Por muitos anos condenei pessoas que Jesus acolheu no seu ministério, os pecadores, os diferentes, os estranhos, os desencaixados da sociedade. 

Vivi muitos anos preso a uma soberba espiritual, preso a uma vaidade institucional exaltando a minha denominação acima das outras. Alimentei pessoas para viver dentro de um gueto dos iguais. Fui fariseu. Agarrado ao meu salário e regalias que o cargo me dava, me acomodei e passei a administrar as ovelhas, controlar os membros para que eles não fossem embora. Preguei para agradar o rebanho, inúmeras vezes. Preguei para o ego deles e com isso escondi por muitos anos quem realmente Jesus é e talvez, pastor, nem eu saiba. Desculpe amolar você e muito obrigado pela atenção. Agradeço a Deus pela sua vida, as suas palavras mexeram e mexem muito comigo. Pastor Aramis, tentei sutilmente mudar, a igreja estranhou e alguns vieram me perguntar o que está acontecendo comigo e fui covarde e desconversei. Voltei para hipocrisia e para minha segurança, é triste reconhecer que tenho colaborado com o inimigo porque sou covarde, porque quero viver me beneficiando da estrutura que ajudei a construir. 

Pastor Aramis, é muito estranho quando eu decido pregar Jesus. No profundo a igreja reclama, desanima, mas quando retorno com mensagens que eles são o centro, a igreja se anima. Obrigado por tudo e saiba que continuarei lendo as suas postagens. Creio que um dia terei coragem para mudar.”

Minha resposta: 

“Querido irmão, a sua crise é a crise de muitos. O seu pequeno império não combina com o Reino de Deus, não se assemelha a Jesus, as vantagens oferecidas e aceitas pelos líderes destrói a missão profética da Igreja. Essa, torna-se um clube, onde os sócios contribuintes exigem que as suas vontades sejam satisfeitas. As doutrinas absurdamente moralistas escondem pecados como: avareza, luxúria, ganância, amor ao dinheiro, soberba religiosa, ódio aos diferentes, vaidade denominacional. Meu irmão, você precisa decidir a sua vida, ficar como está é colaborar com o inimigo, sair é viver em novidade de vida, pela fé, e sofrer pelo nome de Cristo – e a bíblia diz que quem sofre pelo nome de Cristo bem aventurado é.” 

Ele leu e até hoje não me respondeu, oremos por ele.

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